Novos tempos nos portos

0
14

Escrito por Daniel Lucio Souza

 Pois é… Não é fácil ser comandante do segundo maior porto do Brasil. Especialmente pilotando um navio a vapor, quando os tempos requerem um navio de alta velocidade. Passei sete anos nesta máquina imensa e desafiadora, sendo um ano e meio como superintendente.

É tensão total durante 24 horas ao dia!

A demissão do Airton Maron da superintendência da APPA (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina) pelo governador Beto Richa, surpreende pela forma fulminante que ocorreu no último dia 16 de março, é quase uma daquelas tragédias anunciadas. O governador deve ter razões secretíssimas que dificilmente serão publicas.

Conheço razoavelmente o Maron e mais ainda o seu sucessor, o Luiz Henrique Dividino.

Em setembro de 2010, antes das eleições para governador do Paraná e em plena campanha acirrada entre Beto Richa e Osmar Dias, escrevi no meu blog PONTO A PORTO uma postagem onde eu dizia que qualquer que fosse o eleito, o novo superintendente do porto deveria sair do grupo que chamei de “Quatro Azes”

(http://pontoaporto.blogspot.com.br/2010/09/quatro-azes-para-os-portos-do-parana.html).

No artigo, me atrevi a traçar um perfil de um dirigente portuário para enfrentar estes novos tempos de competição acirrada, produtividade como pré-requisito, modernização não apenas da infraestrutura física, mas da gestão da administração portuária.

Vejamos o que dizia:

O futuro gestor portuário deve dominar os seguintes conhecimentos:

1. O marco regulatório e legal do setor portuário nacional.

2. Gestão pública e estrutura organizacional portuária.

3. Logística, operação e infraestrutura portuária.

4. Visão e gestão estratégica com liderança.

Com base nestes critérios que sintetizam os diversos atributos que um profissional deve dominar para ser considerado “ideal” para atuar no comando dos portos, busquei identificar na comunidade portuária paranaense, profissionais que se enquadram e atendem estes pré-requisitos.

Estes profissionais são do meu relacionamento pessoal e não sabem da minha intenção de citá-los nesta postagem. Como o propósito é de demonstrar o valor que possuem para o setor portuário paranaense, que me perdoem se for mal interpretado.

Então listei quatro pessoas do meu conhecimento que cabem perfeitamente neste quadro, que são:

CLÁUDIO DAUDT da empresa Cattalini Terminais S/A.

JUAREZ MOARES E SILVA presidente do TCP Terminal de Contêineres de Paranaguá S/A;

LUIZ ANTÔNIO FAYET ex-presidente do BADEP, ex-diretor do Banco do Brasil e consultor da CNA –

Confederação Nacional da Agricultura

LUIZ HENRIQUE TESSUTTI DIVIDINO presidente da Terminais Portuários da Ponta do Félix S/A.

Vocês não imaginem o que fui criticado e tipos de comentários que recebi no blog quando Beto Richa foi eleito e Airton Maron anunciado como o futuro superintendente da APPA.

Só me reservei ao direito de responder na época, que o governador tem todos os poderes pra nomear que ele queira, mas que a minha opinião sobre os perfis necessários a uma gestão de primeiro mundo do porto, estas continuavam focadas nos “Quatro Azes”.

Passados quatorze meses de gestão do Maron, no dia de sua demissão tive vários sentimentos: Um de alegria por acertar minhas previsões e visão do que é efetivamente gestão portuária. Outro, de tristeza de ver como a politicagem é perversa ao usar uma autarquia pública para fins eleitoreiros e demagógicos… Sem entrar em outros méritos que falam pelos bastidores.

Vamos falar dos novos tempos:

Meu ex-colega de gestão da APPA, o Luiz Henrique foi muito bem formado durante sua vida profissional.

Há 24 anos vem acumulando conhecimentos e experiências na área: desde tecnologia da informação, operação portuária, planejamento, modelagem de terminais portuários entre outros. Só na APPA atuou de 1994 a 2008 quando saiu para assumir a presidência do Terminal Ponta do Félix, selecionado pelos acionistas privados.

Seu críticos o rotulam ora como “requianista” e ora como “ lernista” como se tais adjetivos fossem ofensas. O certo é que é um técnico como eu.

Portanto, a diferença de estilos é imensa: O que saiu era da casa, sem outras experiências de gestão fora da APPA, além de comprometido com o corporativismo da autarquia, das ações trabalhistas que ele mesmo possuía e amizades paroquiais na cidade desde criancinha. Instrumento do projeto político de seu primo para conquistar a prefeitura de Paranaguá, o que é uma mistura mortal pro porto pra quem deve ser Autoridade Portuária.

Sua rápida passagem, mais pareceu que lhe entregaram uma Kombi velha cheia de gente dos mais variados interesses, mas com a cobrança que tivesse o desempenho de um carro de Fórmula 1. Ficou de mãos atadas, além de perder o controle do veículo e de seus ocupantes.

O que entra, traz consigo a visão ampla de vários tipos de gestão moderna de terminais portuários com o pleno entendimento do que é gestão pública e seus entrelaçamentos políticos, muitas vezes conflitantes com o interesse da técnica pura, da macrologística e da importância econômica de um porto. Assim, passado exatos 17 meses, um dos “azes” que recomendei chega ao posto maior da gestão portuária do Estado.

Chega com imensos desafios: Prioritariamente a questão da dragagem desde o Canal da Galheta (que dragamos na minha gestão em 2009, e depois… nada!) até o porto de Antonina que está sendo novamente prejudicado com o assoreamento intenso e rebaixamento do calado pela Capitania dos Portos. Isto poderá acontecer com a Galheta em curto prazo em pleno embarque da safra agrícola… Uma armadilha para a nova gestão da APPA.

Mas, estou certo que o Luiz Henrique Dividino não nos decepcionará. É piloto da “Fórmula 1 portuária”, basta que o governador e o secretário de Transportes lhe dêem apoio total.

Boa sorte Luiz! Você faz parte dos novos tempos para o litoral do Paraná.

É a minha opinião.

 

COMPARTILHAR

Deixe uma resposta

Seu comentário
Seu nome

Solve : *
20 − 14 =