ENTREVISTA : Djalma Andrade dos Santos, Coordenador de Segurança Patrimonial do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (SINDICOM)

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Um pouco da história do Sindicom.

O Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes), fundado em 1941, representa, em nível nacional, as principais companhias distribuidoras de combustíveis e de lubrificantes: AirBP, Ale, Castrol, Chevron, Cosan, Ipiranga, Petrobras Distribuidora, Petróleo Sabbá, Petronas Lubrificantes, YPF, Raízen, Shell Lubrificantes e Total. Suas associadas representam aproximadamente 80% do volume de distribuição de combustíveis e lubrificantes no Brasil. A entidade é o fórum apropriado para discussões de assuntos jurídicos, fiscais, operacionais, de suprimentos, de transportes, de segurança industrial, de saúde ocupacional e de proteção ao meio ambiente que sejam comuns às suas associadas e de representação da categoria junto ao governo.

Dados referentes à atuação das empresas associadas ao Sindicom no mercado.

. Aproximadamente 75% do mercado de distribuição de combustíveis automotivos no Brasil;
. Aproximadamente 93 bilhões de litros de combustíveis automotivos, industriais, de aviação e lubrificantes comercializados em 2016;
. 23.699 postos de serviço com as marcas das associadas;
. Mais de 130 locais de armazenamento para distribuição de combustíveis;
. Faturamento anual de aproximadamente 276 bilhões de reais;
. Arrecadação de tributos na ordem de R$ 80 bilhões/ano.

Como tem sido o transporte na Amazônia?

Desafiador, inseguro. Arriscado em todos os aspectos. Se por um lado há sérios riscos em termos de segurança graças à cada vez mais intensa atuação de organizações criminosas, por outro há o perigo de que embarcações utilizadas para transportar carga roubada sofram acidentes. O derramamento de milhares de litros de combustíveis daria origem a uma tragédia ambiental de grandes proporções. O panorama é realmente arriscado e desafiador.

As seguradoras não querem mais fazer seguros no transporte de combustíveis. Como se enfrenta essa situação?

A resposta não é simples, mas a situação precisa ser enfrentada com atitudes que reduzam riscos e minimizem os danos. Muita negociação com seguradoras e a busca pelo apoio e empenho do governo também são fundamentais.

Para transportar na Amazônia agora é “na cara e na coragem”?

De fato, é preciso muita coragem, pois a navegação local é refém de quadrilhas fluviais, do narcotráfico, de organizações criminosas que aproveitam-se da imensidão geográfica para atuar. As forças policiais têm tido grande dificuldade ali. Não há estradas, carros, apoio para situações de emergência, e os roubos, frutos de ações cada vez mais ousadas, são corriqueiros.

Com a falta de pessoal, tanto na Polícia, quanto na Receita Federal, como o Sindicom enfrenta esse problema? É possível realizar parcerias?

Seguimos atuando, mas realmente é necessário que o governo invista para que o trabalho de todos possa ser realizado com mais tranquilidade. As empresas contratadas pelas associadas ao Sindicom, as empresas de navegação, têm atuado exaustivamente junto aos órgãos de segurança da Amazônia para que, a partir de uma atividade conjunta, os riscos na região sejam minimizados.

O Sindicom tem os números dos assaltos realizados em 2016 e 2017?

Foram mais de 600 mil litros roubados entre 2016 e o ano corrente, sendo que o maior volume perdido se deu por meio de roubos a rebocadores.

Agora o eldorado é a Amazônia. O Governo Federal não tem que olhar com carinho para esse eldorado?

Sem dúvida. O escoamento de minério de ferro, combustíveis, entre outros itens de importância vital para a nossa economia, se dá pela região. O governo precisa, sim, dar a devida atenção para esta “outra Amazônia”, garantindo segurança e colaborando para a eficiência da navegação local.

Uma mensagem para a navegação na Amazônia.

Considerando o atual cenário, é necessário perseverar, trazer o governo para perto, sem esquecer do principal, que é realizar grandes investimentos em tecnologia. Com isso, o panorama pode ser mudado para melhor.

Colaboração LUIS CELSO BORGES.

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