Demora nas obras do Pedral do Lourenço afetam a economia no Pará

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Há quase 10 anos projeto para tornar rio Tocantins navegável caminha a passos lentos

Há quase 10 anos, projeto para tornar o rio Tocantins navegável caminha devagar. Especialistas dizem que a demora nas obras do Pedral afastou investidores, principalmente na região de Marabá.

Os rios do Pará, quando bem aproveitados, são um meio de transporte econômico, eficiente e sustentável. A hidrovia Araguaia-Tocantins, por exemplo, poderia cumprir essa função, mas há quase 10 anos um projeto para tornar o rio Tocantins navegável o ano todo caminha devagar, o que atrasa o desenvolvimento econômico do estado e ainda deixa uma obra bilionária sem utilidade.

As eclusas de Tucuruí, no sudeste do Pará, são quase um elefante branco. Desde que foram inauguradas, em 2010, ao custo de R$ 1,6 bilhão dos cofres públicos, elas praticamente não funcionam. Em 2013, menos de 2% da sua capacidade foram utilizados.

“Esse ano ainda foram feitas algumas eclusagens lá, pouquíssimas, no máximo 10, o que não significa nada para o potencial do rio e da região, então é quase zero isso, se falar que a gente pretende transportar por ali quase 20 milhões de toneladas”, afirma Eduardo Carvalho, diretor das Empresas de Navegação Fluvial do Pará.

A função das eclusas é permitir que embarcações atravessem a barragem da usina de Tucuruí, superando o desnível de 70 metros entre o rio Tocantins e o reservatório da hidrelétrica. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) é o órgão responsável pelas eclusas, mas a operação é feita pela Eletronorte, que não informou quantas embarcações utilizaram o serviço este ano.

Segundo especialistas, as eclusas vão continuar subutilizadas enquanto não houver uma obra complementar no rio Tocantins: a remoção do Pedral do Lourenço, um conjunto de rochas ao longo de 43 km do rio, no município de Itupiranga, entre Marabá e Tucuruí. No período da seca, que pode durar até seis meses, as pedras impedem a passagem de grandes embarcações.

Em 2010, o Governo Federal fez a licitação das obras, mas o processo foi cancelado. A licitação só foi feita em 2015. A empresa vencedora vai receber do governo R$ 560 milhões para terminar a obra até 2021.

“Entre a hidrelétrica de Tucuruí e as eclusas de Tucuruí decorreram 30 anos. Eu espero que a gente não passe mais 30 anos entre a eclusa e o Pedral”, ressaltou José Maria Mendonça, da Federação das Indústrias do Pará.

O impacto do atraso dessas obras no Pedral do Lourenço é gigante. O rio Tocantins é importante para o escoamento da produção de minério e de grãos do centro-oeste do país até os portos da região de Barcarena (PA).

Os especialistas dizem que a demora nas obras do Pedral afastou quem pretendia investir no estado, principalmente na região de Marabá. Em 2010, a mineradora Vale começou as obras de uma siderúrgica no município, o que poderia gerar mais de 20 mil empregos, mas sem garantias de que o Pedral seria removido, o projeto foi suspenso.

Empresários planejaram três shoppings, mas apenas um saiu do papel. Na rede hoteleira existem prédios abandonados ou com a obra andando devagar.

Por Portal da Navegação, via G1 PA, Belém

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