Fundo Açaí melhora qualidade de vida em comunidade ribeirinha da Amazônia

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PINT5315 AMAZONIA COMUNIDADE DE ITAQUERA 20/02/2010 AMAZONAS ESPECIAL DOMINICAL VIDA & AMAZONIA Rio Jauaperi Comunidade de Itaquera, as margens do Rio Jauaperi FOTO PAULO PINTO/AE

Considerado o “ouro preto” da região, projeto separa R$ 2 a cada cesto de açaí colhido e investe em infraestrutura na comunidade

Desirêe Galvão

Como acontece com a maioria da população ribeirinha do arquipélago do Marajó, boa parte da renda da comunidade São Ezequiel Moreno, município de Portel, Pará, provém da venda do açaí in natura. Considerada o “ouro preto” da região, a fruta é a base de tudo o que aquele povo tem. Para fazer com que os recursos financeiros gerados a partir da comercialização dos produtos florestais sejam revertidos para a própria comunidade, os habitantes criaram o Fundo Solidário Açaí. O projeto separa R$ 2 a cada rasa colhida, uma espécie de cesto feito de palha, que comporta aproximadamente 15 quilos da fruta. Com o capital arrecadado, em pouco tempo São Ezequiel já realizou avanços significativos de estrutura física para o povoado.

São Ezequiel Moreno é formado por quase 60 famílias que vivem sobre o Rio Acutipereira. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) local é de 0,483, considerado muito baixo pelo indicador internacional criado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A comunidade guarda na memória a exploração predatória da madeira e do palmito (da mesma árvore que produz o açaí), que ocasionou sérios problemas socioambientais. O desmatamento provocou a escassez do açaí na mesa dos ribeirinhos, alimento tradicionalmente consumido por eles. Além disso, por exemplo, em 2004, a mesma prática acarretou o ataque de morcegos hematófagos em São Bento, comunidade próxima na região, levando 15 pessoas à morte.

Com os recursos obtidos por meio do Fundo Açaí, um meliponário foi construído (Foto: Centro de Empreendedorismo da Amazônia/ Raphael Medeiros)

Já naquela época, em 2004, os moradores começaram a perceber que a floresta tinha mais valor econômico em pé. Após reuniões entre os trabalhadores rurais e a população, fundaram a Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Rio Acutipereira (ATAA). Com a substituição da exploração do palmito pelo manejo dos açaizais, a produção e a renda das pessoas aumentaram, mas a infraestrutura local ainda tinha problemas básicos, como mobilidade dentro da comunidade, por exemplo. Até a criação do Fundo Solidário Açaí, em 2010, a locomoção era feita por meio de troncos de árvores sobre a água, fixados de forma precária e sem nenhuma segurança.

Com o fundo, os primeiros recursos foram aplicados na construção de um centro comunitário e parte de uma ponte dentro da vila. Depois disso, em 2012, uma ponte de 690 metros foi feita para ligar as casas, na área da várzea, às roças. O quarto investimento foi destinado à construção de uma minifábrica agroindustrial, onde o açaí é processado. Além disso, foram feitos tanques de piscicultura, hortas, granja suspensa, meliponário (coleção de colmeias produtoras de mel) e estrutura de abastecimento de água, que transporta os recursos hídricos de um poço artesiano, em terra firme, até os imóveis. As melhorias na comunidade são estabelecidas a partir de reuniões coletivas periódicas, que definem as prioridades locais. Um cronograma de execução e distribuição da arrecadação a partir da venda do açaí também é feito e divulgado para a sociedade.

Em 2012, uma ponte de 690 metros foi feita para ligar as casas, na área da várzea, às roças, em terra firme (Foto: Divulgação)

A produção sustentável de alimentos para você e para o planeta é o tema do Festival Origem, que acontecerá entre os dias 1º e 3 de dezembro em São Paulo, no Memorial da América Latina. O evento é organizado pelas marcas ÉPOCA, Globo Rural e Casa e Jardim. Durante o festival, alimentos com origem sustentável serão apresentados em palestras, oficinas de culinária, exposição de produtores e praça de alimentação.

Por Portal da Navegação, via ÉPOCA.

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