Indústria naval holandesa anuncia fim das atividades em Navegantes

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Dagmara Spautz

A Huisman Brasil, braço catarinense da gigante holandesa Huisman, especializada em equipamentos para exploração de petróleo e gás, anunciou o fim das atividades em Navegantes. Impactada pela crise que atingiu os estaleiros navais, seus principais clientes no país, a indústria vai operar somente até junho do ano que vem, depois de entregar suas últimas encomendas de guindastes offshore e guinchos para manuseio de âncoras.

Em nota, a empresa citou a queda no volume de vendas e afirmou que o cenário econômico complexo, com reflexos no setor petrolífero, tornou a desmobilização necessária: “a empresa concluiu ser inevitável uma redução em sua estrutura com o consequente desligamento de colaboradores”, afirma o texto.

A indústria tem hoje 157 funcionários em Navegantes, que deverão ser demitidos gradativamente a partir de novembro. Na época da instalação, em 2015, ainda em pleno boom da construção naval offshore, a indústria planejava chegar a 3 mil funcionários _ volume que não chegou a alcançar, apanhada pela crise que viria logo depois.

O setor de petróleo e gás brasileiro enfrentou o que os especialistas chamam de “tempestade perfeita”, com a queda do preço do barril do petróleo em todo o mundo, aliada a uma crise moral sem precedentes, resultado da Operação Lava Jato. Impactada, a Petrobras, que dominava as encomendas, cancelou boa parte dos projetos e a crise atingiu em cheio um setor que vinha em pleno crescimento.

De 2002 a 2013, época da retomada do setor naval e da descoberta do pré-sal, o número de empresas ligadas ao setor no país havia crescido 128%. O Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Pronef), lançado em 2004, foi um dos grandes incentivadores da retomada, que atraiu multinacionais como a Huisman para o país.

A queda da produção dos estaleiros, nos últimos dois anos, atingiu diretamente Itajaí e Navegantes, que detêm o polo catarinense de construção naval offshore _ um dos maiores do país. O número de empregados no setor caiu de 6,5 mil, em 2014, para cerca de 3,8 até maio deste ano.

As duas cidades têm, juntas, 74 empresas ligadas ao setor, segundo dados da Fiesc. A maioria, no entanto, teve queda brusca no número de trabalhadores. Os estaleiros Detroit, Navship e Oceana são hoje os responsáveis por mais 90% dos empregos que perduram na indústria naval offshore catarinense.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgias e de Construção Naval de Itajaí e Região, Jurandir Sardo diz que a Huisman contratou uma empresa para auxiliar os empregados que serão demitidos a conseguir recolocação no mercado.

Expectativa em leilões

A retomada do preço do barril de petróleo no mundo e a chegada de novas frentes de trabalho com a abertura da exploração do petróleo brasileiro para empresas estrangeiras são vistas como perspectivas de futuro para os estaleiros pelo Sindicato das Indústrias de Construção Naval de Itajaí e Navegantes (Sinconavin).

Na semana passada, a australiana Karoon arrematou 46 dos 76 blocos de petróleo e gás da Bacia de Santos entre São Paulo, Paraná e Santa Catarina, oferecidos na 14ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás da Agência Nacional do Petróleo (ANP) _ um negócio de R$ 29 milhões.

A Karoon já possui outros blocos no país, entre eles Kangaroo, que é próximo de Navegantes. Desde 2012 a empresa já fez duas campanhas de avaliação na Bacia de Santos e fez descobertas de óleo, inclusive em Kangaroo. No entanto, não há previsão de início da exploração.

Rafael Theiss, presidente do Sinconavin, está fora do país e disse que a entidade ainda fará uma análise da decisão da Huisman, que classificou como uma “triste notícia”.

Por Portal da Navegação, via Diário Catarinense.

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