AEB e CNC lançam o ENAEX 2018

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Cerca de 150 empresários participaram do evento no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro (RJ) – A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) reuniram ontem, no Rio, cerca de 150 empresários do setor, na sede da CNC, para o lançamento oficial do Encontro Nacional de Comércio Exterior – ENAEX 2018, que, em sua 37ª edição, terá como tema “Desafios para um comércio exterior competitivo”.

O evento foi marcado por palestras de especialistas do setor, que abordaram as principais questões que têm causado preocupação para a atividade. Para falar sobre o tema “Acordos Comerciais Mirando a Competitividade do Produto Brasileiro” foi convidado o vice-presidente da AEB, Mauro Laviola. Na ocasião Laviola abordou, de forma ampla, os impasses que têm dificultado a participação do Brasil em acordos que poderiam dar um incremento na competitividade dos produtos brasileiros. “Podemos ser produtivos, mas não temos competitividade no mercado internacional”, afirmou.

Para o vice-presidente da AEB, governo e empresários brasileiros conhecem todo o aparato internacional e regional que rege o comércio, os serviços e as demais disciplinas que compõem o quadro institucional dos negócios no mundo. Disse ainda, que o País dispõe de mecanismos internos dedicados ao mercado internacional em contínuo processo de aperfeiçoamento e permanente acompanhamento do quadro evolutivo das negociações internacionais. “Porém, a participação brasileira no comércio mundial há muito não evolui do percentual médio de 1% verificado nos últimos anos, em flagrante contraste com o tamanho da sua economia”, frisou.

O setor portuário, cujos terminais geram cerca de 90 mil empregos diretos e indiretos e que tem papel fundamental na competitividade das exportações, também foi alvo de discussão durante o encontro. Na ocasião, o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), José Di Bella Filho, fez um relato das dificuldades e desafios enfrentados, assim como um balanço do setor no período 2016/2017.

Bella Filho citou a compreensão da dinâmica concorrencial do setor portuário como atividade regulada e a sua importância no desenvolvimento da economia e da competitividade dos produtos brasileiros como principais bandeiras da ABTP. “A questão regulatória, a falta de investimentos em infraestrutura e as questões operacionais devido à baixa produtividade dos equipamentos são alguns dos gargalos que temos enfrentado e que minam a competitividade do setor”, frisou. O executivo chamou a atenção também para o alto valor da praticagem no Brasil e também sobre a cobrança dos inúmeros tributos, que causam impactos operacionais e no investimento setorial. “O setor portuário tem que ser o elo de eficiência da cadeia logística, mas não tem merecido a devida atenção”, enfatizou.

“O Brasil é um país exportador de peso, mas de quantidade e não por ter importância para o comércio mundial”. Assim o presidente da AEB, José Augusto de Castro iniciou a sua apresentação, que tratou dos cenários políticos, econômicos e comerciais mundiais e seus impactos sobre as exportações brasileiras.

Castro explicou que o Brasil vem perdendo mercado, apesar dos seus constantes superávits em sua balança comercial, pois hoje é um exportador basicamente de commodities, cujos preços são balizados por cotações do mercado internacional, além de não contarem com nenhum valor agregado. “Superávit não é importante, o que importa é a corrente de comércio, e, hoje, o presente do Brasil é o passado, já que a corrente de comércio de 2017 foi menor do que o fechamento de 2011”, destacou.

Sobre os impactos da guerra comercial Estados Unidos/China/União Europeia para o Brasil, Castro acredita que haverá queda nos preços internacionais das commoditites para os anos de 2018 e 2019. A crise da Argentina – o principal comprador dos produtos manufaturados brasileiros –, a elevação do frete, a revogação do mecanismo fiscal do Reintegra e a reoneração da folha de pagamentos são alguns dos pontos apontados por Castro como fatores responsáveis pelo alto custo da produção e que impedem os produtos manufaturados brasileiros de competirem no mercado americano, em substituição aos chineses. “O Brasil tem enfrentado muitos desafios para se manter no mercado internacional, mas se não fizer o dever de casa, resolvendo as questões referentes ao Custo Brasil, será facilmente afetado pelo comércio mundial em transformação”, acentuou.

O diretor de Operações da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias S.A. (ABGF), Vítor Sawczuk, em sua apresentação fez um breve histórico sobre a entidade, que foi criada em 2012 pela Lei nº 12.712 com a finalidade, entre outras, de administrar fundos garantidores e prestar garantias às operações de riscos diluídos em áreas de grande interesse econômico e social.

Sawczuk aproveitou a ocasião para falar sobre o seguro de crédito à exportação, que oferece garantia para operações de crédito à exportação contra riscos comerciais, políticos e extraordinários, obrigações contratuais e riscos de fabricação, que possam afetar as exportações brasileiras de bens e serviços. Destacou a importância do seguro da ABGF que oferece garantia às operações de exportação de micro, pequenas e médias empresas (MPME).

Sobre o ENAEX

O encontro, o mais importante fórum de diálogo entre empresários e governo, reunirá representantes de toda a cadeia de negócios do comércio internacional para discutir as principais questões que envolvem o setor, com vistas a melhorar a competitividade dos produtos brasileiros.

Estão previstos workshops, painéis e debates sobre os principais temas relacionados ao setor. Os inscritos também terão a oportunidade de participar de despachos executivos e reuniões, assim como visitar a área de exposição com estandes de empresas, entidades, órgãos públicos e mídias especializadas.

Paralelamente ao evento, ocorrerá a reunião do Conselho de Comércio Exterior do MERCOSUL (MERCOEX), formado pelas coirmãs da AEB no âmbito regional: CERA (Câmara de Exportadores de La Republica Argentina), UEU (Unión de Exportadores del Uruguay) e CIP (Centro de Importadores del Paraguay).

Serviço:

Encontro Nacional de Comércio Exterior (ENAEX 2018)

Data: 15 e 16 de agosto de 2018

Horário: 9h às 18h30 (15/8) e 9h às 17h30 (16/8)

Local: Centro de Convenções SulAmérica (Av. Paulo de Frontin, 1 – Cidade Nova – Rio de Janeiro – RJ)

Informações e inscrições: www.enaex.com.br/enaex2018

Sobre a AEB

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) é uma entidade privada, sem fins lucrativos e de âmbito nacional, que representa o segmento empresarial de exportação e importação de mercadorias e serviços, bem como as atividades correlatas e afins. Fundada em 20 de agosto de 1970, a AEB tem como principal objetivo atuar junto aos órgãos públicos e privados pela adoção de medidas que favoreçam a expansão competitiva e sustentável do comércio exterior. Também busca promover a aproximação de todos os elos da cadeia de negócios com fins de estudos técnicos, cooperação e defesa dos interesses e objetivos comuns, visando ao desenvolvimento econômico e social do país.

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