Matopiba puxa exportação de soja pelo Porto de Itaqui

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O Porto de Itaqui, no Maranhão, deve exportar 8,5 milhões de toneladas de soja e milho em 2018, 6% mais que no ano passado. No primeiro semestre a movimentação de grãos já foi intensa, impulsionada pela produção volumosa de soja na região do Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e também em Mato Grosso. Enquanto outros portos tiveram suas operações afetadas em junho, por causa da greve dos caminhoneiros e do debate sobre o tabelamento do frete rodoviário, o de Itaqui carregou volume recorde de 1,25 milhão de toneladas da oleaginosa. Isso foi possível porque grande parte da carga chegou por ferrovia. Em julho, o presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Ted Lago, espera embarque de até 1,32 milhão de toneladas.

Apetite chinês. O terminal maranhense deve se beneficiar das taxas adotadas pela China na importação da soja dos Estados Unidos, o que traz para o Brasil parte da demanda. “Os embarques, que costumam cair em setembro, devem se prolongar até outubro e novembro, muito em razão da expansão da produção no Maranhão e dos bons preços (pagos pela commodity)”, diz Ted Lago, da Emap. Do total a ser embarcado neste ano, 5 milhões devem sair pelo Tegram, operado por tradings, e 3,5 milhões pelo terminal da VLI.

Nos trilhos. A VLI, que opera um terminal em Itaqui, diz que a oferta de ferrovias também estimula o avanço da atividade agrícola. “Vimos um crescimento relevante da produção neste ano, especialmente em áreas próximas à Ferrovia Norte-Sul. Quando há infraestrutura, o agricultor produz”, enfatiza o diretor comercial, Fabiano Lorenzi.

Juntos. A VLI tem hoje no agronegócio metade de sua receita, ante 35% há cinco anos. No período, investiu R$ 9 bilhões em terminais, ampliação de portos e modernização da linha férrea. Agora, tem buscado outras parcerias com empresas do agronegócio, como a fechada com a Tereos há menos de um mês para a construção de dois armazéns de açúcar em São Paulo e transporte de 1 milhão de toneladas/ano.

Em casa. A depender dos valores de frete mínimo que serão estabelecidos pela Associação Nacional de Transportes Terrestres, cooperativas agropecuárias consideram ampliar a frota própria de caminhões. “Se a tabela permanecer muito acima do valor de mercado vamos por essa linha, porque não conseguimos suportar o custo”, diz o superintendente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti. Segundo Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), as empresas gaúchas também estudam essa possibilidade. Economia: BRF vai ao STF tentar derrubar multa de R$ 8,8 milhões em paralisação dos caminhoneiros

Espera. A Coamo, maior cooperativa do Paraná, já tinha o investimento em caminhões na programação do ano. Na semana passada, 152 desses veículos foram adquiridos. Mas, até que haja uma definição sobre a tabela, os caminhões antigos não devem ser revendidos. “Estamos avaliando segurar um pouco”, afirma o superintendente de logística Airton Galinari.

Banho-maria. Mesmo com o atraso nas vendas de insumos para a safra 2018/19, a expectativa é de que o volume de agroquímicos, fertilizantes e sementes vendidos superem em até 10% o registrado em 2017. O presidente executivo da Associação dos Distribuidores de Insumos Agropecuários (Andav), Henrique Mazotini, diz que até o momento só 50% do total previsto para a temporada foi negociado, ante 80% em igual período do ano passado. A indefinição sobre a tabela do frete rodoviário, ainda em debate, leva produtores a adiarem as compras.

Livre. O Grupo Mantiqueira acaba de investir R$ 7 milhões no arrendamento de uma fazenda em Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, para produção de ovos de galinhas fora de gaiolas. Até 500 mil aves serão criadas pelo sistema “cage free” para atender à linha de produção “Happy Eggs”.

Aproveita tudo. O grupo está investindo outros R$ 20 milhões na construção de duas usinas em Mato Grosso e Minas Gerais para produzir fertilizantes orgânicos a partir do esterco de aves. “Queremos que esse negócio represente até 12% do faturamento da companhia em dois anos”, diz Leandro Pinto, presidente do grupo Mantiqueira.

Não à crise. A BRF avalia que a crise econômica vivida pela Argentina não será um problema para a venda dos ativos que a empresa tem no país, diz uma fonte próxima da direção da companhia. Segundo esse interlocutor, há compradores interessados.

Por Portal da Navegação, via Portos & Navios (Estadão)

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