Competitividade dos portos brasileiros

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Finalmente os portos do País passam à categoria de competidores por um conjunto de fatores e apesar das suas administrações, de maioria medíocre. Primeiro, que a transparência dos negócios na era digital estabelece outra velocidade e transparência. Hoje dificilmente ocorrências surrealistas como a da ferrovia Norte-Sul conseguem se prolongar tanto como imperou o ex-presidente da Valec, até ser preso. Segundo, considerando a fase Arco Norte a mais recente estruturação de uma próspera hinterlândia, o Brasil se torna um país Portuário maiúsculo do Rio Grande do Sul até Manaus.

Essa nova realidade exige administrações alinhadas com os negócios dos próprios portos que passam a competir logisticamente entre si. Convenhamos que é impossível tal propósito ser realizado com equilíbrio se continuar subordinado a um poder de decisão centralizado à uma estrutura politiqueira e viciada, em Brasília; tampouco com uma administração portuária regional que não busque competição pela produtividade com inovação e forte concentração na sua base regional.

Sem sombra de dúvida, o crescimento fantástico da movimentação de carga verificado nas instalações portuárias do Arco Norte é o anúncio de uma nova abertura dos portos. Os portos do Norte e Nordeste aumentaram suas estatísticas de granéis movimentados de 33% em 2016, para 41% em 2017, no total das suas exportações aquaviárias de granéis sólidos. E este ano irão fechar com números mais incisivos. Essa logística com base no papel nacional de celeiro do mundo, próxima dos grandes mercados e do novo canal do Panamá é uma robusta atração de investimentos.

A Autoridade Portuária de Roterdam, porto holandês, vai investir no desenvolvimento do Porto de Pecém, com olhos no crescimento médio anual de 22% do porto cearense. Sua movimentação total de carga em 2017 foi de 16 milhões de toneladas. Baseados no potencial do porto brasileiro, os holandeses esperam atingir uma produção de 45 milhões de toneladas, até 2030. Para tanto, foi aprovado pela Municipalidade de Roterdam, ministério da Finança e Autoridade Portuária de Roterdam, um investimento de US$ 87,5 milhões, equivalente a R$ 325,5 milhões, com participação de 30% no porto brasileiro.

É função da administração de um porto promover e implantar infraestrutura portuária para o porto bem exercer o seu papel econômico e de desenvolvimento regional. Vale lembrar também que a qualidade do serviço prestado e custo do porto serão fatores determinantes para atrair e dominar mercados. Há muito ocorrem disputas de clientes entre portos no Brasil, com guerras fraticidas baseadas na manipulação de incentivos estaduais, sem levar em conta as reais vantagens inerentes aos portos competitivos. Esta rivalidade que se deseja e saudável precisa ser baseada em uma competitividade definida na ação recíproca entre as vantagens comparativas dos portos nacionais e de vários estrangeiros. É preciso procurar entender e exercer com mestria a competição.

Por Portal da Navegação, via Portogente.

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