Análise: Projeto Calha Norte conteve ‘interesse estrangeiro’ na região

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Cerca de 2 milhões de habitantes vivem permanentemente na Calha Norte. No total, são beneficiadas 9 milhões de pessoas, direta e indiretamente, segundo o Ministério da Defesa

Roberto Godoy

A Calha Norte é um gigante, um território de 1,5 milhão de km² ao longo de oito Estados – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia e Roraima; uma faixa de terra de 160 km de largura com 6,5 mil km de extensão. A Colômbia inteira, um dos cinco vizinhos internacionais desse bloco (com Suriname, Guiana, Venezuela e Guiana Francesa), é um pouco menor.

O projeto tem 34 anos, foi lançado em 1985, com José Sarney presidente. O primeiro objetivo era estritamente militar, pretendia estabelecer a presença do Estado brasileiro na Região Norte. Pouco povoada e menos ainda explorada, a área estava com “a soberania sob ameaça”, indicavam informações da inteligência militar e análises de relações exteriores, segundo relato do então chanceler Olavo Setubal. Para o chefe do Itamaraty, havia “muito interesse de grupos estrangeiros em torno de províncias minerais estratégicas, das possibilidades para a agricultura e das matrizes biológicas”.

O prazo de dez anos para execução da primeira fase foi penalizado pela crônica falta de recursos, mas, ainda assim, o programa avançou. Pelotões de fronteira foram instalados pelo Exército, que assumiu a implantação de infraestrutura básica nas cidades da região, a construção e a recuperação de rodovias, a manutenção de pequenas centrais de energia elétrica e o apoio sanitário às comunidades. A Marinha tratou do controle da navegação fluvial e da assistência às populações ribeirinhas. À Aeronáutica coube a construção de pistas de pouso, o transporte aéreo regular até pontos remotos e o atendimento de emergência – a remoção de doentes graves, por exemplo.

A colonização prosperou. Cerca de 2 milhões de habitantes vivem permanentemente na Calha Norte. No total, são beneficiadas 9 milhões de pessoas, direta e indiretamente, aponta o Ministério da Defesa. As emendas parlamentares compõem a vertente civil do empreendimento.

Em abril, só no Amapá foram contabilizados 109 projetos em andamento. Vários deles estavam atrasados. A Coordenação de Despesas do Programa Calha Norte promoveu um seminário técnico em Macapá para ajustar procedimentos. O Acre tem o melhor registro de eficiência, atingindo 95% de aproveitamento dos recursos federais – na prática, obras cumpridas dentro do orçamento previsto e nos prazos estabelecidos.

Por Portal da Navegação, via Terra.

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