NAVEGAR SEM PRÁTICOS NA AMAZÔNIA, É COMO BRINCAR DE ROLETA RUSSA.

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Na última sexta-feira (11/10), por volta de 11h30min, o Navio Tucunaré, com um calado de 11,58 m, partiu do Porto de Trombetas, com práticos a bordo, destino a Vila do Conde, municipio de Barcarena (PA), carregando 74.000 toneladas de bauxita. No dia 13/10, na primeira hora do dia, os práticos desembarcaram em Macapá (AP) tendo concluido com segurança a missão.O navio seguiu viagem, sem práticos, navegando em área de praticagem facultativa. Após o desembarque desses profissionais, seguiu por cerca de 200 km, vindo a encalhar no canal do Curuá, próximo à ilha do Bailique, distante dela, cerca de 31 km. Além da carga, navios desse porte possuem capacidade para transportar cerca de 2.500 toneladas de óleo combustível. Navios encalhados ficam sujeitos a grandes esforços de torção e ruptura, correndo risco de se entortarem e até mesmo o risco de se partirem e, assim, derramarem óleo na água.

A navegação no rio Amazonas é extremamente perigosa, pois os bancos de areia se movimentam silenciosamente sob a superfície da água, gerando encalhes em áreas que antes eram seguras. A praticagem é a única instituição capaz de se manter atualizada em relação aos movimentos desses bancos porque navega nesses rios diuturnamente e mantém seu banco de informações atualizado 24h por dia. A Amazônia é patrimônio da humanidade e não merece menos do que a melhor expertise disponível para a proteção de suas águas, da fauna e da flora fluviais e das populações ribeirinhas.

Infelizmente, a empresa dona deste navio que encalhou, a Hidrovias do Brasil, é a mesma que encaminhou à Marinha do Brasil, proposta para navegar sem práticos no rio Amazonas e no rio Trombetas, desmerecendo o trabalho da praticagem, que é a proteção do meio ambiente, a proteção do navio e da carga, a garantia do êxito comercial do transporte da carga, além da segurança da navegação e da preservação de vidas humanas. Se, não consegue navegar com segurança nem mesmo em áreas onde a praticagem é facultativa, muito menos conseguirão em áreas mais restritas, onde a praticagem é obrigatória. Esperemos que as autoridades não queiram pagar o preço dessa aposta quando o que está na mesa é o maior ecossistema do planeta e a subsistência de populações ribeirinhas que não suportariam um acidente ambiental em suas águas.

Por Portal da Navegação.

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2 Comentários

  1. Esqueceram de mencionar a cobrança de valores exorbitantes e sem controle por parte da praticagem, do pouco ou nenhum poder de negociação dado as empresas; a praticagem infelizmente funciona como um feudo onde todos tem de contribuir com, nem sempre justas, taxas por ela mesma arbitradas

  2. Infelizmente as autoridades que se dizem competentes fazem vista grossa para questão e só lhes interessa simplismente objetivos pessoais, portanto, práticos, continuem a remar vossos barcos.

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