Praticagem quer segurança para evitar propagação do vírus

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Os práticos diariamente estão expostos aos riscos de contágio com tripulantes de navios que atracam e desatracam nos portos de Santos e São Sebastião. Mesmo com toda proteção e tomando os cuidados necessários, eles temem ser vetores da transmissão do Covid-19.

Chuva, vento, marés altas e outras condições adversas fazem parte dos desafios enfrentados diuturnamente pelos práticos para realizar as manobras dos navios nos portos de Santos e São Sebastião. Nos últimos tempos, há um novo e perigoso inimigo invisível: o Covid-19. E a ameaça ficou mais evidente com as constantes manobras dos navios de cruzeiro que foram recebidos humanitariamente no porto santista, com tripulantes e passageiros contaminados pelo vírus. Só o Costa Fascinosa, que está em quarentena, já foi manobrado quatro vezes.

Os práticos fazem cerca de 32 manobras diárias em Santos. Eles são os primeiros a entrar em embarcações que chegam de diversos locais do mundo e, mesmo com todos os equipamentos de proteção e cuidados, sabem que correm o risco de contaminação pelo covid-19 e a possiblidade de se transformarem em vetores da doença.

Serviço essencial por lei, a Praticagem do Brasil continua cumprindo a missão de conduzir embarcações com segurança, mesmo quando há casos suspeitos da Covid-19 no navio em que embarcam. Seguindo as recomendações do governo para que o transporte marítimo não pare e mantenha o abastecimento, nem sempre é possível seguir as regras básicas de prevenção, pois muitas situações estão fora do controle dos Práticos.”

O afastamento de, pelo menos, dois metros entre práticos e tripulantes de navios estrangeiros é uma regra difícil de ser cumprida, segundo o presidente da Praticagem de São Paulo, Carlos Alberto de Souza Filho. O tema é sério e será levado pelo Conselho Nacional de Praticagem à Comissão Nacional das Autoridades dos Portos (Conaportos).

Souza Filho explica que manter distância de comandantes e da tripulação é inexequível. Como responsáveis por orientar os oficiais dos navios nas manobras de atracação e desatracação, eles utilizam áreas comuns dos navios, como escadas, elevadores e equipamentos, sendo os primeiros a terem contato com as tripulações estrangeiras. “A proximidade com comandantes e alguns tripulantes é frequente”, ele garante.

Em março, a Praticagem solicitou à Anvisa a mudança do protocolo para entrada em navios com casos suspeitos a bordo. Esse documento, chamado de livre prática, libera a possibilidade para que o navio possa entrar ou sair, operar carga, receber e desembarcar passageiros. A solicitação era para que o navio ficasse em um fundeadouro até que os técnicos da Anvisa subissem a bordo para verificar as condições sanitárias.

A situação, segundo o Presidente da Praticagem, não mudou: “A Anvisa se recusa a entrar a bordo para conceder ou não a livre prática, como determina o regulamento internacional. “Nesse momento, todo e qualquer navio apresenta um nível de risco, mas o QUE acontece hoje em dia é uma guerra de papel. O comandante alega que não tem problema nenhum e atraca, para evitar problemas com os armadores ou que seu navio entre em quarentena, e quinze minutos depois diz que tem alguém com sintomas. Mesmo com tripulantes doentes, a Anvisa dá a livre prática e nós temos que ir lá e fazer a manobra”.

Cuidados

A Praticagem intensificou e especificou procedimentos com todo o pessoal e instalações. Na Ponte, as lanchas estão sendo higienizadas com uma solução em spray de água sanitária e água, em cada saída e em cada volta. Nas manobras, os práticos embarcam com luvas de látex e máscaras. Nos navios em que há suspeita ou confirmação de Covid 19, em passageiros ou tripulantes, os práticos usam a roupa completa de proteção.

A segurança a bordo é relativa, como explica Souza Filho: “Em relação aos navios de passageiros, alguns não têm nenhuma informação de pessoas infectadas e outros têm. Os navios ficam fundeados lá fora em quarentena, mas várias pessoas já saíram para o hospital e há muitos ainda infectados a bordo em tratamento. Cada vez que o navio atraca para trazer tripulantes para tratamento, para abastecer ou buscar alimentos, os práticos são chamados para as manobras”.

Esses navios entram e atracam para abastecimento de gêneros e desembarque de tripulantes que estão tentando voltar para seus países de origem, quando isso é permitido e quando as empresas conseguem passagens. Atualmente, por exemplo, Índia e Filipinas proibiram a entrada até seus nacionais vindos do Exterior.

O Presidente da Praticagem conta que eles embarcam em navios que estão vindo da Itália, Espanha, China e outros países. “O que temos observado é que as empresas de navegação melhoraram muito a preocupação por parte do pessoal de bordo, uma grande parcela está usando máscaras também. Mas muitos não estão usando, o que sempre é um risco”.

Durante as manobras, os práticos levam frasco de álcool gel para as mãos, passam nas luvas e nos equipamentos como o handset do rádio, por exemplo. “Estamos tentando nos proteger”, afirma.

Souza Filho tem conhecimento de que, até o momento, dois práticos, um de Vitória e um de São Luís contraíram a doença, foram internados e já receberam alta. Ao contrário de outras profissões, práticos com mais de 60 anos continuam trabalhando. A Marinha flexibilizou as regras de números mínimos de qualificação para os práticos com mais de 60 anos. Em Santos e São Sebastião, apenas um prático pediu licença.

Por Portal da Navegação (Ivani Cardoso)

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