Investimentos da praticagem abrem caminho para maior graneleiro na Amazônia

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O comandante entre os práticos Leo Morelenbaum e Armando Leitão.

Navio com 255 metros de comprimento e 43 metros de largura atracou em Santarém (PA) para carregar 83.700 toneladas de milho

A praticagem conduziu o navio CSSC Amsterdam – com 255 metros de comprimento e 43 metros de boca (largura) – para carregar 83.700 toneladas de milho em Santarém (PA). A carga será exportada para Portugal. É um navio da classe Baby-cape, que veio de Nansha (China) e estava ancorado em Macapá (AP).

Até pouco tempo, somente embarcações da classe Handysize, de até 203 metros de comprimento e 32 metros de boca, operavam na região do Amapá, com capacidade de carregamento de 55 mil toneladas. Em agosto, após simulações na Universidade de São Paulo (USP), a praticagem indicou a possibilidade de receber graneleiros ainda maiores. Logo em seguida, chegaram os primeiros Panamax, com 229 metros de comprimento, 32 metros de boca e dois porões a mais de carga, podendo carregar 74 mil toneladas com 13,50 metros de calado (parte submersa do navio).

– Estamos quebrando mais um paradigma, superando a previsão inicial das simulações, que era receber navios até a classe New Panamax em toda a Região Amazônica, com 240 metros de comprimento e 40 metros de boca. Agora, já estamos movimentando o Baby-cape. No Porto de Santana (AP), temos condições de fazer o giro na bacia de evolução com embarcações de até 300 metros de comprimento e 50 metros de boca, ficando limitados somente pelo tamanho dos berços de atracação. Já no terminal em Santarém, novas avaliações precisam ser feitas para a definição dos limites operacionais – diz o presidente da Praticagem do Brasil, Ricardo Falcão, prático na Bacia Amazônica há mais de 20 anos.

A operação segura dessas embarcações só é possível graças a investimentos próprios da praticagem, que faz a sondagem regular das profundidades dos rios da região e o estudo das marés na barra norte do Rio Amazonas. Este trabalho é fundamental porque na Amazônia bancos de areia se movimentam silenciosamente sob as águas, podendo causar encalhes. Além disso, a barra norte apresenta um trecho raso lamoso que delimita o calado. O levantamento das marés no trecho amplia as janelas de passagem para navios mais carregados.

O valor cobrado pela praticagem contempla esses investimentos, além do elevado custo de funcionamento do serviço, que requer lanchas especiais, centro de operações, manutenção, pessoal etc. Em Santarém, para fazer a entrada de um Panamax, atracá-lo, desatracá-lo após o carregamento e conduzi-lo no caminho de volta a Macapá, o preço da praticagem é R$ 7,54/tonelada; para um trajeto de mil quilômetros ida e volta. Para uma embarcação com a capacidade de um Baby-cape, o valor cai 30%.

Para levar a mesma tonelada de Sorriso (MT) a Miritituba (PA), de onde a carga segue por barcaças até Santarém, o custo rodoviário é de R$ 170. O terminal que vai embarcar a carga, por sua vez, cobra R$ 44/tonelada; no caso do carregamento do CSSC Amsterdam, R$ 3.862.800 no total.

Por Portal da Navegação, via Diário do Amapá.

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